domingo, 19 de janeiro de 2014

Você já ouviu falar na mala de Artur?



Em Boa Ventura existe uma expressão popular usada por muita gente, sobretudo pelos mais velhos, quando é cobrado por algo prometido e não realizado. “Ou fulano, tu trouxe meu dinheiro?  O outro logo responde:” Ainda não, mas ta vindo aí, na mala de Artur”. Na política então, é um prato cheio.

Então vamos explicar melhor a origem dessa história para os mais novos da comunidade: Na véspera da segunda guerra mundial, muitos jovens brasileiros foram chamados a comparecer nos quartéis do exercito para defender a pátria na Itália.

No sertão, eles também não escapavam. O então jovem Artur Guimarães, natural de Itaporanga e nessa época morando por lá, e que é pai de Bosco, Hélio, Léo e outros filhos que a comunidade conhece, foi convocado para se apresentar em um quartel no Recife e de lá iria para a Itália defender a nação brasileira, como soldado recruta. 

Chegando lá, ainda no Recife, e vendo que o negócio não era nada mole, ele não pensou duas vezes e fugiu do alojamento, deixando sua mala de madeira com roupa e tudo no quartel. Não se sabe como retornou à cidade de Itaporanga, só que chegou.

E quando pisou na terrinha soube que um tal de Zé Cordeiro teria ido ao Recife comprar um caminhão, ai começou a justificar a ausência de sua mala, quando era indagado. E o primeiro a perguntar pela mala foi seu pai: “Oxente, Artur, cadê tua mala? Tá vindo no caminhão de Zé Cordeiro, tratava logo de responder.
O certo é que nunca esse caminhão apareceu nem tampouco a mala de Artur. 

E até hoje muita gente usa essa expressão para justificar algo ainda estar por vir, mas que nunca chega, igual certas promessas que existem por aí. Colaboraram nessa matéria o filho do próprio, no caso Hélio, e Zélito, primo de Artur.

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